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ANALFABETISMO NO ENSINO SUPERIOR

ANALFABETISMO NO ENSINO SUPERIOR

Carlos Goes

Edição Vol. 3, N. 17, 13 de Outubro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.10.13.001

Nos últimos 13 anos fomos enganados por uma política corrupta e mentirosa. Enquanto diziam-nos que teríamos uma Nação em construção para a saúde e educação o que se demonstrou foi um rombo nos cofres públicos, diga-se de passagem, nos nosso bolsos, e um decréscimo sem igual em qualidade no ensino público e privado e na saúde na história do Brasil. Não! Isso não é apenas contos que se contam na internet. São dados de entidades internacionais reconhecidas pelo próprio governo brasileiros, assim como dados, do próprio governo. Também não! Não são dados do governo atual, mas sim do governo dos 13 anos de retrocesso. Vamos aos gráficos e dados públicos!

Imaginem só, saímos de um país com pouco mais de 45 universidades públicas para 59 em 13 anos. Será mesmo? E a qualidade, se para ser professor nas universidades públicas deve-se ter título de Doutor? Segundo o partido do governo naqueles 13 anos “a criação de 18 universidades públicas, por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (Reuni).” Seguindo a história, desde a fundação da primeira Universidade brasileira, a UFRJ, em 1920, até 1963, foram criadas no Brasil 20 Universidades Federais. Dez delas, coincidindo no governo de Juscelino Kubtscheck, sendo oito em 1960 e duas no início de 1961. Nos anos de 1962 e 1963 foram criadas três Universidades no Brasil. Em março de 1964 foi implantada o governo Militar no Brasil. No período em que os militares ocuparam o poder foram criadas 16 Universidades. Entre 1986 e 2002 foram criadas 9 universidades sendo 6 delas no governo FHC, 1 em 2000 e 5 em 2002. Entre 2005 a 2014, período governado por Lula e Dilma, foram criadas 14 Universidades no Brasil. Destas 59 universidades públicas, com vários campi, espalhados pelo país, embora muitas vezes sem a menor estrutura física para se mantê-las e, em muitas, professores vão somente uma vez ao mês para dar aulas… o resultado, somado ao ensino médio que não se reprova, herança maldita do governo do estado de São Paulo que propagou a perturbadora ação da cidade de Porto Alegre, RS, na qual a rede municipal adotou um sistema de ciclos com nove anos de duração a partir de 1996 e que, a reprovação, é proibida. O resultado não poderia ser mais alarmante com a criação do ENEM que, por um lado é gratificante por se tornar um sistema único de avaliação do país, com algumas ressalvas, e por outro a exigência de cotas pelas universidades públicas a toque de caixa e os cortes de verbas caso não atendessem o desmando do governo. Óbvio que as universidades federais aceitaram, chegando aos fantasiosos números que o governo queria e a degradante qualidade na formação do “profissional”. Receber um canudo não significa se formar como profissional para uma dada profissão.

Assim, no Brasil, somente um quarto, ou 22% de todas os indivíduos que entraram na Universidade Federal têm nível de alfabetismo considerado como suficientemente adequado para se estar em um curso superior. Considerando um nível intermediário, que lê bem, entende razoavelmente e escreve mal, porém de forma que se possa fazer compreender, nem a metade, apenas 42% estariam nesse grupo. Porém, a situação é mais grave, para não dizer alarmante, é o fato de que 32%, um terço da elite educacional brasileira _ incluindo todos do nível superior, independente de sexo, classe, cor, religião ou qualquer outra baboseira que se queira criar de classificação social _ têm domínios apenas elementares, isto é, não possuem habilidades técnicas de leitura, escrita e nem de realizar cálculos simples, como somar, dividir, multiplicar ou subtrair, realidades de nosso pobre cotidiano. Pior ainda, dos 4% restantes, são completos analfabetos funcionais. Mas, de onde tirei esses números esdrúxulos e que vos deveríeis deixar estupefatos? São dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, com apoio do Ibope Inteligência.

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Retirado da internet

Esses dados que preocupam, inclusive aos que chegaram ao nível superior, não chegam a indicar que o canudo (diploma) de nada serve, entretanto, podem indicar que quanto maior a escolaridade, melhor é o nível de alfabetização, mesmo que para nossa realidade seja muito fraco. É como um sistema compensatório por não ter aprendido nada durante os ensinos fundamental e médio. Agora, imaginem só, se temos 4% de analfabetos funcionais no ensino superior completo ou incompleto, se considerarmos toda a população brasileira entre 15 e 64 anos, essa proporção salta para mais de um quarto, chegando a 27%. Mas, isso ainda pode ser grotescamente pior! Se considerarmos somente a parcela de jovens e adultos com níveis escolares iniciais, por terem interrompido seus estudados antes de completarem o primeiro ciclo do ensino fundamental, a proporção dispara e dá um voo espantoso para 68% (Figura 1)!

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 Figura 1: Nível de alfabetismo da população jovem e adulta | Inaf

O fato que se constata de que é relacional a escolaridade com o nível de alfabetismo não se esconde os graves problemas que se perpetuam no ensino superior. Em considerações do Instituto Paulo Montenegro era de se esperar que todos os brasileiros que estão na educação superior, pelo menos próximo dos 100% dessa população, estivesse dividida entre os níveis proficiente ou intermediário, claro, considerando já o país dos números criativos. No entanto, a fração que se encontra somando esses dois grupos é de apenas 64%, sendo que, lamentavelmente, a menor parcela (22%) estaria no nível proficiente ou suficientemente adequado. Isto significa que são capazes de elaborar, não somente ler, textos de alta complexidade e compreender interpretando gráficos e tabelas que envolvem mais de duas variáveis. Ah, mas não tem problema estar no nível intermediário! _ Poderia se pensar assim, na mediocridade da política nefasta criada por um grupo de desconstrutores de uma nação. A questão é que se espera que os 44%, quase metade do grupo da população brasileira que está no ensino superior, tenha a capacidade de solucionar questões que envolvam cálculos percentuais e de proporções mais complexos, além de interpretar e resumir textos narrativos, jornalísticos ou científicos. Pena que não é o que se presencia nas salas de aulas de universidades federais de renome. Se o estudante não consegue nem interpretar um texto científico em sua língua, o que esperar dele de uma língua estrangeira, como o inglês que é considerada a língua científica universal, em sua futura vida de profissional? 

Uma conclusão mal intencionada e distorcida da realidade desses números é declarar que o problema está nessa nova geração, que entra ou deixa o ensino superior com nível de alfabetismo muito aquém do que aquele observado em outras gerações. Então se avalia o grau de alfabetização desse grupo populacional de gerações anteriores, a parcela da população acima de 50 anos com nível superior completo ou incompleto, somente 11% são proficientes e 42% estariam no grupo intermediário. Considerando os mais jovens, com menos de 24 anos, 22% são proficientes e 49% de intermediários, sendo que nesse grupo muitos continuam estudando e ainda podem aperfeiçoar seus graus de alfabetismo.

Complica ainda mais quando, a favor de um plano de governo de se criar números absolutos os mais altos possíveis, para se dar a falsa impressão de que estamos indo no caminho certo e desenvolvendo, exige-se que, nas universidades federais controladas por partidários daqueles desgovernos, aprovem-se os alunos mesmo não sendo suficientes na sua formação. É o tiro no pé do futuro do país. Que tipo de profissionais se espera desses alunos que formam sem ter o conhecimento mínimo em sua área? Problema é da população que será atendida por eles e, assim, teremos médicos operando pernas erradas, quando não se mata o paciente; engenheiros que não sabem calcular e seus viadutos e ciclovias desabam; enfermeiros que injetam vaselina na veia de pacientes com desidratação… Esses usam de todos subterfúgios, incluindo assédio moral e ameaças, para forçar ao professor aprovar os alunos. 

Mas, nem todas notícias são más. Como todo país, ano após ano, forçosamente a quantidade de pessoas que chegam ao ensino superior é superior de uma geração para outra, como o número de universidades públicas e privadas também aumentaram. 


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  • ANALFABETISMO NO ENSINO SUPERIOR
  • 3
  1. EVELINE MATTOS TÁPIAS OLIVEIRA disse:

    Então, Carlos Góes, boa noite,
    Li seu texto “Analfabetismo no Ensino Superior” e fiquei de boca aberta com seus comentários. Você realmente veio de Marte; well, welcome to Brasil.
    Sabe, você falou muito mal de um país que está tentando melhorar e nem se impressionou em propor alguma coisa para alterar positivamente o quadro que você mesmo apontou. Veja, na realidade, os dados evidenciam um descaso com a Educação Básica. E o problema não é só não saber fazer contas ou escrever – o problema é que a Educação Básica atual não propicia ao estudante aprender a pensar. O aluno que não pensa (e isso não é privilégio da educação pública, viu?) será um péssimo profissional SE (em maiúsculas e com grifo) a universidade (real, que não é de Marte) conseguir fazer com que ele aprenda a pensar. Logo, um outro problema que vc não apontou, é o despreparo dos professores do Ensino Superior para ajudar o seus alunos a aprender. Se os alunos estão “piores”, os professores precisam ser “os” melhores e precisam saber como ensinar – e não só despejar conteúdos nos alunos que, como vc apontou, mal sabem ler (sic!, porque quando o professor sabe ensinar, o aluno lê sim). Logo, é preciso rever o ensino na Educação Superior. Veja, o mundo tem as cores que tem – os professores precisam aprender a fazer outras combinações com as cores, além das combinações tradicionais-beges-monocromáticas e ajudar os alunos a ampliar sua visão, cultura e formas de pensar. Isso os professores do Ensino Superior precisam fazer JÁ (ao invés de reclamar que os alunos não têm padrão John Hopkins). Além do que, já dizia o sábio, GRAFITE NÃO É PICHAÇÃO.
    Sinto que fui meio dura nesta minha réplica, mas estou cansada desse discurso econômico-de-dados-de-lugar-comum, o qual não aprofunda as discussões que efetivamente podem ajudar a melhorar o país.
    Assim, deixo minha contribuição:
    1. todos precisamos propor formas de melhorar a Educação Básica fazendo com que os conhecimentos científicos sobre como ensinar a ler, a pensar, etc, cheguem aos professores e à escola – assim estaremos investindo no futuro;
    2. os professores (inclusive os do Ensino Superior) precisam descobrir a dialogia e as formas de ensinar – o “tradicionalismo-de-pedestal” já está cientificamente de lado. Modernização com práticas inovadoras para lidar com a realidade público-privada de HOJE (ontem já foi);
    3. os economistas precisam colocar o pé na realidade e falar efetivamente dos problemas para RESOLVÊ-LOS, e não de DADOS-PRECONCEITOS-ESTATÍSTICOS-LUGARES-COMUNS que não resolvem nada.
    Muito obrigada,
    Profa. Dra. Eveline Mattos Tápias Oliveira
    PS: só falei de algumas questões. Há ainda outras pra gente conversar. Gente, vamos acrescentar outras visões?

    24/janeiro/2017 ás 20:44
  2. Nelson Tapias disse:

    Texto longo, cansativo, com dados supostamente oficiais e uma opinião pessoal tendenciosa e mal intencionada.

    29/janeiro/2017 ás 11:47
  3. Higor disse:

    Há um bom tempo acompanho o Nanocell semanalmente. Neste período, acredito que recomendei a leitura para diversos amigos do meio acadêmico. Porém, notícias como esta, meramente opinativa e com teor quase que exclusivamente político e não científico, vêm se tornando cada vez mais comum. Lamentável!

    09/dezembro/2017 ás 10:15

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