AMÍGDALA É O PORTAL DO MEDO OU DA RECOMPENSA? Circuito Cerebral Que Conduz Comportamentos Indutores De Prazer

AMÍGDALA É O PORTAL DO MEDO OU DA RECOMPENSA? Circuito Cerebral Que Conduz Comportamentos Indutores De Prazer

Edição Vol. 4, N. 9, 15 de Maio de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.05.15.003

Os cientistas há muito acreditam que a amígdala central, uma estrutura localizada no fundo do cérebro, está ligada ao medo e às respostas a acontecimentos desagradáveis. Um estudo simples demonstra que a perspectiva com que enxergamos as coisas mudam paradigmas e refazem a ciência!

No entanto, uma equipe de neurocientistas do MIT descobriu agora um circuito nesta estrutura que responde a eventos gratificantes. Em um estudo com camundongos (e tem que ser com animais, afinal, você quereria ver um parente seu morrer por doenças ou nestes testes? Salvem as bactérias e os vírus!), ativando este circuito com certos estímulos fez com que os animais procurassem esses estímulos ainda mais. Os pesquisadores também encontraram um circuito que controla as respostas a eventos temerosos, mas a maioria dos neurônios na amígdala central estão envolvidos no circuito de recompensa, relatam (Figura 1). Poderiam estar relacionados aos circuitos com que psicopatas, como o molusco de barba, roubam, extorquem, matam milhões e debocham do brasileiro? Possivelmente isso explicaria o prazer que eles têm em destruir uma nação ou assassinar, estuprar, qualquer outra pessoa. Mas, não é esse o circuito. O circuito que explica as atitudes dele é de psicopata. 

amigdala-prazer 

Figura 1: Neurocientistas identificaram o circuito cerebral que direciona o comportamento indutor de prazer em uma região cerebral que se pensava estar ligada ao medo.

É surpreendente que os subconjuntos que promovem o comportamento positivo sejam tão abundantes, o que é contrário ao que muitas pessoas no campo têm pensado. O estudo liderado pela professora Dra Susumu Tonegawa, do Centro RIKEN-MIT para Genética do Circuito Neural no Instituto Picower de Aprendizagem e Memória. 

DIRIGINDO O COMPORTAMENTO

O artigo baseia-se em um estudo publicado no ano de 2016, no qual o laboratório de Tonegawa identificou duas populações distintas de neurônios em uma parte diferente da amígdala, conhecida como a amígdala basolateral (BLA) (1). Estas duas populações são geneticamente programadas para codificar memórias tenebrosas ou felizes.

Nesse estudo, os pesquisadores descobriram que os neurônios que codificam memórias positivas e negativas transmitem informações para diferentes partes da amígdala central  (1). Em seu novo trabalho, eles se propuseram a esclarecer as conexões das duas populações de BLA com a amígdala central e determinar as funções das células da amígdala central que recebem informações do BLA (2).

Primeiro, os pesquisadores analisaram os perfis genéticos dos neurônios da amígdala central e os dividiram em sete grupos com base nos marcadores genéticos que expressam em sua localização anatômica. Eles usaram então a optogenética, uma técnica que lhes permitia controlar a atividade neuronal com a luz, para investigar as funções de cada população (2).

Os pesquisadores descobriram que cinco dessas populações estimulam o comportamento relacionado à recompensa: quando os camundongos foram expostos à luz, os mesmos repetidamente procuraram mais exposição à luz porque esses neurônios estavam dirigindo um circuito de recompensa. Estas mesmas populações recebem a entrada das células de emoção positiva no BLA (2).

Outra população de neurônios subjaz a comportamentos relacionados ao medo inato e de memória, e a última população não era necessária para o comportamento relacionado ao medo ou à recompensa (2).

Esse achado contradiz o consenso de que a amígdala central está envolvida principalmente no comportamento relacionado ao medo, dizem os pesquisadores.

Classicamente, as pessoas generalizaram a amígdala central como uma estrutura relacionada ao medo. Eles pensam que está envolvida na ansiedade e respostas relacionadas ao medo. No entanto, parece que a estrutura como um todo, principalmente, parece participar de comportamentos apetitivos.

Os pesquisadores não podem descartar a possibilidade de que algumas células ainda não descobertas na amígdala central controlem o comportamento negativo. No entanto, as células que identificaram até agora representam mais de 90% da amígdala central. Se há algumas outras células para o comportamento negativo, estas perfazem uma pequena fração (2).

A maior parte da pesquisa sobre a amígdala nos últimos 20 anos tem se concentrado no papel da amígdala central do núcleo na mediação de respostas aversivas. Agora, o laboratório da Dra Tonegawa quebrou esse paradigma observando de uma nova perspectiva. Eles descreveram de maneira surpreendente e que mudará a forma como os cientistas pensam sobre o núcleo central da amígdala.

CIRCUITOS SURPREENDENTES

Em outro achado surpreendente, os pesquisadores descobriram que os neurônios ligados ao medo que eles identificaram na amígdala central não enviam mensagens diretamente para a parte do cérebro que se acredita receber impulsos relacionados com o medo a partir da amígdala central. Esta parte do cérebro, o periaqueductal cinza (PAG), está localizado no tronco cerebral e desempenha um papel na resposta à dor, estresse e ameaças externas (2).

Ainda desconhecido é onde as células da amígdala central enviam sua saída, e se ele finalmente chega ao PAG depois de parar em outro lugar (2). O laboratório de Tonegawa está agora tentando rastrear esses circuitos ainda mais para descobrir onde eles vão.

Os pesquisadores também estão estudando o papel dos neurônios BLA na extinção do medo, que é o processo de reescrever memórias tenebrosas de maneira que estejam associadas com sentimentos mais positivos. Esta abordagem é frequentemente utilizada para tratar distúrbios como depressão e distúrbio de estresse pós-traumático.

Fonte: Anne Trafton, MIT Notícias

Referências

1.Kim J, Pignatelli M, Xu S, Itohara S, Tonegawa S. Antagonistic negative and positive neurons of the basolateral amygdala. Nat Neurosci. 2016;19(12):1636-46.

2.Kim J, Zhang X, Muralidhar S, LeBlanc SA, Tonegawa S. Basolateral to Central Amygdala Neural Circuits for Appetitive Behaviors. Neuron. 2017;93(6):1464-79 e5.

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  1. marta auxiliadora de Moura disse:

    Meu esposo sofreu um avc este meto pode resolver a sua situação pois afetou a mente responda pelo imeio ou telefone 12 997664911 marta urgente

    08/julho/2017 ás 17:22

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