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A SERINGA DE INSULINA DE CADA DIA! Células-Tronco Regeneram o Pâncreas De Pacientes Com Diabetes Tipo 1

A SERINGA DE INSULINA DE CADA DIA! Células-Tronco Regeneram o Pâncreas De Pacientes Com Diabetes Tipo 1

Nicole de Cássia Oliveira Paiva, Rodrigo R Resende

Edição Vol. 3, N. 9, 19 de Abril de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.04.20.004

O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não é capaz de utilizar eficazmente a insulina que produz. A insulina é um hormônio produzido pelas células beta do pâncreas e atua em todas as células do corpo a fim de regular os níveis de glicose no sangue. A hiperglicemia, nível de glicose no sangue aumentado, é um efeito comum do diabetes não controlado e, a longo prazo, pode conduzir a sérios danos para o organismo, em particular às células do sistema nervoso e dos vasos sanguíneos.

Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, em 2014 a prevalência global de diabetes, tanto I como II, foi estimada em 9% entre os adultos com idade maior que 18 anos. E em 2012, cerca de 1,5 milhões de mortes foram causadas diretamente pelo diabetes (1). O diabetes tipo 1 ocorre em cerca de 5 a 10% dos pacientes com diabetes.

O Diabetes tipo 1 é uma doença auto imune que resulta na destruição das células beta, produtoras da insulina. Isso ocorre porque o sistema imune ataca equivocadamente essas células e, então, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o sangue. Como resultado, os níveis de glicose no sangue aumentam drasticamente uma vez que esta molécula não está sendo capturada efetivamente pelas células do corpo (Figura 1).

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Figura 1: Previna-se e entenda o que é o Diabetes.

Atualmente, os indivíduos com o diabetes tipo 1 são tratados com injeções diárias de insulina, um tratamento doloroso e inconveniente que deve ser realizado durante a vida inteira. Já apresentamos aqui, no Nanocell News, alternativas inovadoras e sem dor para a aplicação da insulina usando uma tatuagem com microseringas (2) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/uma-tatuagem-nao-muito-comum-dosando-os-niveis-de-glicose-sanguinea-por-uma-tatuagem/). Uma opção à essa terapia é substituir as células beta através de transplante, uma abordagem aplicada atualmente na clínica, mas que possui limitações. As ilhotas pancreáticas para o transplantes são obtidas a partir de doares falecidos, o que limita o fornecimento de tecido, além dos efeitos adversos da terapia imunossupressora que precisa ser feita durante toda a vida do recebedor do tecido.

Em estudos recentes, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos, desenvolveram um tecido sintético formado por células produtoras de insulina derivadas de células-tronco ​​envoltas por uma cápsula imunoprotetora. O transplante desse tecido conduz a uma correção imediata e a longo prazo do diabetes em camundongos, sem necessidade de terapia de imunossupressão (3) (Figura 2).

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Figura 2: Desenho esquemático das terapias para o tratamento do diabetes tipo 1.

As células beta maduras responsivas à glicose (chamas de células SC-B) são derivadas de células-tronco induzíveis (iPSCs, do inglês induced pluripotent stem cells) (Leia mais sobre células-tronco induzíveis em (4), http://www.nanocell.org.br/modificacoes-no-dna-de-celulas-adultas-mudando-a-regra-nas-celulas-tronco/). Essas novas células betas representam uma fonte ilimitada de células, já que podem ser produzidas a partir de qualquer célula adulta do próprio paciente. Elas são, em seguida, encapsuladas por um biomaterial poroso derivado de alginato. Um material que forma uma goma, quando extraído das paredes celulares de algas castanhas, é usado pela indústria de alimentos para aumentar a viscosidade e como emulsificante (que aprisiona a gordura). O grande desafio desse tecido sintético foi o encapsulamento, pois o material utilizado deveria ser permeável à glicose e insulina e, ao mesmo tempo, imunocompatível, para que o corpo não gere uma resposta inflamatória contra esse material.

Para resolver este problema, os pesquisadores testaram mais de 700 compostos de alginato quimicamente modificados através de um ensaio para medir a inflamação induzida por estes compostos. Encontrado um composto com resposta inflamatória reduzida, as células SC-B foram encapsuladas e transplantadas para dentro da cavidade peritoneal de camundongos imunocompetentes com diabetes.

O resultado destes implantes foi a correção da glicemia sem imunossupressão até a sua retirada em 174 dias (6 meses) após a implantação. Além disso os camundongos implantados não tiveram hipoglicemia e apresentaram uma cinética normal de depuração de glicose, isto é, a retirada da glicose do sangue foi como em pessoas saudáveis, o que sugere que as cápsulas não causaram um atraso significativo em qualquer detecção de glicose ou na secreção de insulina. Os implantes recuperados após 174 dias continham células viáveis e ​​produtoras de insulina.

Ainda são necessários muitos esforços para garantir a segurança e eficácia dos implantes, incluindo caracterização refinada das células-tronco e do biomaterial, além de experimentos em animais de maior porte. No entanto, esse trabalho já nos dá um vislumbre de potenciais tratamentos para o diabetes e renova a esperança de um futuro sem seringas diárias de insulina.

Referências

1.Organization WH. Global Health Estimates: Deaths by Cause, Age, Sex and Country. Geneva: WHO; 2014.

2.Paiva NC, Resende RR. UMA TATUAGEM NÃO MUITO COMUM: Dosando Os Níveis De Glicose Sanguínea Por Uma Tatuagem. Nanocell News. 2015;2(12).

3.Vegas AJ, Veiseh O, Gurtler M, Millman JR, Pagliuca FW, Bader AR, et al. Long-term glycemic control using polymer-encapsulated human stem cell-derived beta cells in immune-competent mice. Nature medicine. 2016;22(3):306-11.

4.Ricardo Cambraia Parreira RRR. MODIFICAÇÕES NO DNA DE CÉLULAS ADULTAS MUDANDO A REGRA NAS CÉLULAS-TRONCO. Instituto Nanocell. 2016;3(5).

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  1. MICHELLE OLIVEIRA DA SILVA disse:

    recentemente fui diagnosticada com diabetes tipo 2 qual o critério para me candidatar voluntariamente ao estudo,

    18/maio/2016 ás 00:12

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