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Marcello R. Brito Júnior1, Giovana F. Maciel1, Raysa T. V. Souza1, Pedro H. G. Santana1, Ricardo C. Parreira2

1Acadêmico(a) do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade, Trindade-GO, Brasil.

2 Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Campus Trindade, Trindade-GO, Brasil.

Edição Vol. 8, N. 9, 13 de Setembro de 2021

Fonte: Site http://drmarcosdantas.com.br/wp/project/arritmia/

À medida que envelhecemos, observa-se, de modo geral, um aumento da Pressão Arterial (PA). Isso resulta em uma maior pressão de pulso e pode levar à Hipertensão Arterial (HA), que é a Doença Crônica Não Transmissível (DCNT) de maior prevalência na população brasileira. Sabe-se que essa doença tem causa multifatorial, por isso, a genética, o sexo, a etnia, a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo de álcool, podem ser considerados componentes de risco para o desenvolvimento dessa patologia (1,2).

A HA é caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial (PA), ou seja, PA maior ou igual a 140/90 mmHg em pelo menos duas ocasiões diferentes sem o uso de medicação anti-hipertensiva. Destaca-se ainda que, é aconselhável, quando possível, para a validação dessas medidas, a avaliação da PA fora do consultório com uso da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) ou da Automedida da Pressão Arterial (AMPA). Contudo, é importante observar que, segundo as novas Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial (DBHA) de 2020, passa-se a considerar HA quando a pressão é igual ou maior que 130/80 mmHg fora do ambiente hospitalar (2,3).

Um estudo internacional publicado na Revista The Lancet em agosto de 2021, apresentou dados compilados de mais de 1200 pesquisas científicas realizadas entre os anos de 1990 e 2019, com 104 milhões de participantes (30 a 79 anos) de 184 países. Os resultados revelam que, nesse período, houve redução na prevalência de HA nos países desenvolvidos, por outro lado, notou-se um aumento dos casos em vários países subdesenvolvidos (82% do número total de pessoas com hipertensão no mundo). Os pesquisadores acreditam que esse crescimento significativo seja, entre outros fatores, em virtude do envelhecimento da população e da maior exposição a outros fatores de risco. O estudo evidenciou também, que o número absoluto de pessoas com hipertensão no mundo dobrou em menos de uma década (4).

Outro dado importante desse trabalho é que, globalmente, 41% das mulheres e 51% dos homens com hipertensão não sabiam da doença e por isso não tratavam. Já a taxa de tratamento dos casos confirmados foi de 47% em mulheres e 38% em homens, todavia, menos da metade dos tratados tinham alcançado o controle da hipertensão arterial, levando a taxas de controle global de 23% para mulheres e 18% para homens. Essa redução da taxa de controle é atribuída, principalmente, à dificuldade do acesso ininterrupto aos medicamentos (4).

Nesse contexto, destaca-se que diversos estudos demonstram que uma abordagem multiprofissional, além do acréscimo na qualidade da assistência, melhora a adesão e o sucesso terapêutico. Novas ferramentas como as teleconsultas, o monitoramento da pressão arterial doméstica e lembretes de mensagens de texto podem melhorar a adesão, mas essas medidas só são eficazes se os pacientes tiverem acesso contínuo ao tratamento farmacológico (1,2,4).

É importante ressaltar que o tratamento é individualizado, e por isso a equipe multiprofissional em saúde deve sempre investigar a presença de fatores de risco. Ressalta-se ainda que, com o tratamento adequado, deve-se reduzir a PA para valores menores que 140/90 mmHg e não inferiores a 120/70 mmHg. Nos indivíduos mais jovens e sem fatores de risco associados, pode ser definido valores inferiores a 130/80 mmHg (2).

Resultados de estudos clínicos randomizados com pacientes hipertensos mostraram uma redução eficiente da PA com a administração de fármacos. No entanto, é consenso científico que a cessação do tabagismo, redução do sal na dieta, consumo de frutas e hortaliças, atividades físicas regulares e redução do consumo de álcool são fundamentais para o êxito terapêutico (3,4,5).

Tais ações para o controle da PA são responsáveis por diminuir os risco de insuficiência cardíaca (IC) em 46%, de acidente vascular encefálico (AVE) em 37%, de doença arterial coronariana (DAC) em 22%, além de reduzir 12% da mortalidade total. Vale ressaltar que a HA mata mais por suas lesões nos órgãos alvo, desse modo, a avaliação do impacto dos medicamentos anti-hipertensivos em órgãos-alvo pode ser útil como indicador indireto de sucesso do tratamento (2).

Embora pareça longínquo, os estudos atualmente em curso, com diferentes abordagens moleculares altamente específicas, têm revelado novas possibilidades de diagnóstico precoce da HA. Outrossim, a terapia gênica surge como promissora alternativa, com comprovada eficácia em ensaios preliminares. No entanto, sabe-se que há um longo caminho a ser perseguido para sua aplicação clínica. Por isso, embora tantas perspectivas importante estejam em foco, o maior desafio de todos, no Brasil e no mundo, é bem mais simples de ser ultrapassado e inclui conscientização população sobre o impacto dos hábitos de vida na saúde, o rastreio efetivo da doença e o tratamento adequado com diferentes estratégias medicamentosas de uso contínuo.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) pelo projeto aprovado no EDITAL 01/DEACEC/EXTENSÃO/2021.

Referências

1. Rocha LS, Oliveira CSS, Almeida LPP. Avaliação do Programa Hiperdia pelos profissionais de saúde. Rev Saúde Com. 2021;17(1):2051–60.

2. Barroso WKS et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516–658.

3. SBC – Sociedade Brasileira de Cardiologia. Nova diretriz de hipertensão arterial traz mudanças no diagnóstico e tratamento. 2020. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/post/nova-diretriz-de-hipertens%C3%A3o-arterial-traz-mudan%C3%A7as-no-diagn%C3%B3stico-e-tratamento. Acesso em: 11 set. 2021.

4. NCD-RisC – NCD Risk Factor Collaboration. Worldwide trends in hypertension prevalence and progress in treatment and control from 1990 to 2019: a pooled analysis of 1201 population-representative studies with 104 million participants. The Lancet. 2021;398:957–80.

5. OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças cardiovasculares. 2021. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/doencas-cardiovasculares. Acesso em: 11 set. 2021.

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