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A PRÁTICA DE MEDITAÇÃO PODE ALIVIAR DÉFICITS COGNITIVOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER

A PRÁTICA DE MEDITAÇÃO PODE ALIVIAR DÉFICITS COGNITIVOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER

Beatriz Cintra Morena, Alexandre Hiroaki Kihara, Vera Paschon

Laboratório de Neurogenética / Núcleo de Cognição e Sistemas Complexos / Centro de Matemática, Computação e Cognição / Universidade Federal do ABC

Edição Vol. 3, N. 7, 26 de Fevereiro 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.02.26.001

A doença de Alzheimer (DA), descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico Alois Alzheimer, é uma doença neurodegenerativa muito comum entre idosos, a partir dos 65 anos. Considerando o aumento do envelhecimento populacional, a DA torna-se um assunto de grande relevância, tanto no contexto social quando médico. De acordo com o Instituto Internacional da Doença de Alzheimer, o crescimento da incidência da doença na população idosa praticamente dobra a cada 20 anos. A previsão é que o número de pacientes chegue a 65,7 milhões em 2030 e 115,4 milhões em 2050. Atualmente, 58% da população com Alzheimer, encontram-se nos países desenvolvidos, percentual que atingirá os 72% em 2050 (1).

O sintoma inicial da doença é a perda de memória recente, como a dificuldade em se lembrar de ações cotidianas, ou identificar parentes ou amigos, assim como deficiências de linguagem (Figura 1). Conforme a doença evolui, aparecem alterações na memória de longo prazo, na cognição como as deficiências de linguagem e nas funções viso-espaciais. Esses sintomas são comumente acompanhados por distúrbios comportamentais, como agressividade, alucinação e depressão. Infelizmente, nenhuma droga foi eficiente no tratamento da doença até agora, porém estudos recentes mostram que certos medicamentos e até mesmo uma melhor qualidade de vida pode aliviar os sintomas da DA.

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Figura 1: Regiões do cérebro afetadas pela Doença de Alzheimer. Cada área do cérebro afetada pela doença está relacionada a um sintoma que pode ser mais sutil ou mais perceptível conforme o estágio da doença. Fonte: http://acelebrationofwomen.org/2012/05/alzheimers-disease-ad/ acessado em 8/03/2016

O estresse pode ser grande responsável pelo aumento de espécies reativas de oxigênio, inflamação cerebral e consequentemente morte neuronal. Fatores que podem acabar desencadeando a DA. (3) Considerando o efeito negativo do estresse, um estudo realizado na Universidade do Novo México, Estados Unidos da América, mostrou que praticar meditação e ter boa qualidade de vida são fatores preventivos da DA.

Foram descritas quatro práticas de meditação no estudo, cada uma com suas particularidades e benefícios na prevenção da DA:

Prática 1 – RR (resposta de relaxamento), consiste em 4 técnicas diferentes:

1- Conforto: sente-se confortavelmente em uma cadeira ou no chão

2- Silêncio: fique sozinho em um cômodo em que você não seja incomodado por mensagens de texto, telefones ou campainhas.

3- Repetição: se foque em uma palavra, som, respiração ou até uma pequena prece.

4- Atitude: quando outros pensamentos entrarem em sua cabeça, foque de novo na sua repetição e exclua tudo de sua mente por 10 a 20 minutos duas vezes por dia.

Esta prática, independente do tipo escolhido, fornece muitos benefícios a saúde, desde diminuir hipertensões, melhorar problemas no coração, maximizar a expressão genica, levando a prevenção de alguns tipos de demência. Também foi provado que a expressão genica associada com metabolismo de energia da mitocôndria poderia aumentar o metabolismo dessa organela e diminuir possíveis problemas de funcionamento.

Prática 2 – TM (meditação transcendental), envolve um som secreto e silencioso, ou mantra, para ser repetido várias vezes mentalmente, com os olhos fechados, num local silencioso e tranquilo.

Em um estudo realizado com praticantes de TM de longa data revelou que estes praticantes eram fisiologicamente 12 anos mais jovens do que suas idades cronológica. Recentemente descobriu-se que houve uma diminuição de 48% no numero de mortes por doenças cardíacas em pessoas praticantes de TM, e que a TM também pode reduzir a ansiedade dos praticantes. Reduzir estes fatores de risco pode prevenir a DA, assim como outros tipos de demência.

Prática 3 – MBSR (redução de stress baseado na atenção): tem como objetivo desenvolver a consciência do momento presente através da atenção do praticante ao seu corpo durante a prática. O treino consiste de 8 reuniões em grupo, cada uma com duas horas e meia de duração, incorporando a visualização das partes do corpo, em que o praticante deve tentar identificar áreas de stress físico.

Em um estudo sobre MBSR, 30 voluntários praticaram 6 horas diárias de meditação por 3 meses, e foram comparados com outros 30 voluntários que não haviam praticado a meditação. Os resultados foram positivos para recuperação da atenção, depressão, bem-estar psicológico e ansiedade dos voluntários.

Prática 4 – KK: esta meditação requer cinco passos:

1- respiração: deve-se respirar naturalmente durante a prática

2- postura: o praticante senta-se confortavelmente em uma cadeira ou de pé, com as costas eretas, apenas com sua curvatura natural.

3- sons: a KK utiliza sons específicos, como “Saa”, “Taa”, “Naa” e “Maa”. A mandíbula deve estar relaxada durante o canto.

4- posição dos dedos: a posição dos dedos corresponde ao som produzido pelo praticante (Figura 2).

5- concentração: o praticante deve se concentrar na respiração e nos sons produzidos durante a prática.

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Figura 2: Correlação dos sons e posição dos dedos. Durante o som “Saa”, o dedão deve tocar o dedo indicador; durante o som “Taa”, o dedão deve tocar o dedo médio; durante o som “Naa”, o dedão deve tocar o dedo anelar; durante o som “Maa”, o dedão deve tocar o dedo mínimo.

Praticar KK pode estabilizar as sinapses cerebrais através do aumento da liberação de neurotransmissores, como acetilcolina e glutamato. Foi demonstrando que quando o praticante utiliza os dedos em conjunto com o som, áreas especifica do cérebro são ativadas, como visto em imagens de SPECT. Com essa ativação, o fluxo sanguíneo nessas áreas aumenta, tendo efeito benéfico na proteção contra neurodegeneração.

Com esse estudo, fica claro que os benefícios da meditação são inúmeros, tanto psicológicos, como fisiológicos. Como ainda não existem medicamentos eficientes no tratamento da DA, o ideal é investir numa boa qualidade de vida, incluindo prática de exercícios físicos, alimentação balanceada, tratamento farmacológico, além de meditação e exercícios mentais, como caça-palavras e palavras cruzadas (4).

Referências

1- Doença de Alzheimer. Associação Brasileira de Alzheimer. Disponível em <http://abraz.org.br/abraz-na-midia/release-institucional-doenca-de-alzheimer> Acesso em 15 de fev. 2016.

2- SerenikiI A, Vital M.A.B.F. 2016. Alzheimer’s disease: pathophysiological and pharmacological features. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.30 no.1.

3- Dharma Singh Khalsa. 2015. Stress, Meditation, and Alzheimer’s Disease Prevention: Where The Evidence Stands. Journal of Alzheimer’s Disease 48 (2015) 1–12.

4- Os efeitos da meditação no cérebro. Nanocell News. Disponível em: <http://www.nanocell.org.br/os-efeitos-da-meditacao-no-cerebro/> . Acesso em 17 de fev.2016

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