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Carlos Gustavo dos Santos Higa1

1 Profissional em Educação Física, Massagista, Faixa Preta 2º Dan em Karatê Shinkyokushin, pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Esportivo pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais e em Personal Training pela EEFERP – USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil. CREF Nº 103341 G/SP.

Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/4405879388770428

E-mail: kaizenribeiraopreto@gmail.com

Edição Vol. 8, N. 10, 15 de Outubro de 2021

Quem já teve a oportunidade de praticar Karatê, ou ao menos visitar um Dojo (Academia), pôde pereceber que os praticantes usam faixas coloridas na cintura e os senseis (professores) a faixa preta. Mas afinal, o que isso significa? Como isso surgiu? É o que este artigo pretende mostrar.

Ao contrário do que muitos pensam, os primeiros praticantes de Karatê, quando este surgiu em Okinawa, não usavam faixas amarradas na cintura e muito menos o uniforme de treino ( Dougui), como foi explicado no artigo anterior. A “faixa” usada na época pelos primeiros Praticantes de Karatê, era o acessório usado para segurar a calça pois nesse época, não existiam o zíper e os botões. Quando o Praticante começava a praticar, essa faixa era branca. Com o uso constante durante os treinos, ela encardia e fica escura, preta. Era assim que era percebido o tempo de treino do praticante. Quanto mais sujo e encardido a faixa que segurava a calça, mais experiente o praticante era. E quando essa faixa começava a se desgatar conforme o uso, mostrando até seu interior, mais experinte era o “faixa preta”. Essa é a explicação apontada pela a maioria das fontes históricas. Existem algumas fontes que discordam dessa explicaçãoa considerando como uma lenda.

Então, como era a graduação original dentro do Karatê? O Praticante começava na “faixa branca” e depois de um tempo ia para a “faixa preta”. Algumas fontes citam 03 estágios: branca no começo, marrom no meio (estágio intermediário do praticante – o estado que a faixa se encontra nessa fase) e a preta.

Quando o Karatê chegou no Japão através de Gichin Funakoshi, fundador de estilo Shotokan e considerado o pai do Karatê moderno, a arte marcial precisou se adaptar ao povo japonês e se adequar à forma de como as artes marciais japonesas eram ensinadas na época. Quando Funakoshi chegou ao Japão, ele teve a oportunidade de conhecer Jigoro Kano, o criador do Judô, e eles se tornaram muito amigos. Funakoshi adotava o uso do kimono (judogi) nas suas aulas, e sugeriu para Funakoshi adotar o seu uso no Karatê, dando um aspecto mais “japonês” à arte. E com isso, o Karatê também adotou o sistema de graduação de faixa criado por Jigoro Kano.

Esse sistema é composto de faixas com várias cores, que servem para mostrar o grau de conhecimento e desenvolvimento do praticante, do básico ao intermediário e avançado, com tempos de treino em cada graduação definidos. Essas cores adotadas, o tempo em cada faixa e os números de faixa adotadas variam conforme a arte marcial e o estilo.

na faixa preta, também existem as graduações: 1º Dan, 2º Dan, 3 Dan. Geralmente essa graduação vai até o 10º. Existem variações dependendo da Escola ou Estilo. Alguns deles adotam a faixa vermelha, a faixa coral (vermelha e branca) e a denominação geralmente é Sensei (Professor). Algumas Organizações adotam a terminologia de Shihan, Koei, Kaicho entre outras para níveis mais altos dentro da faixa preta. Em organizações mais tradicionais, vemos mestes usando faixas desgastadas por causa do uso constante, que é uma lembrança e referência ao passado, da história da faixa preta.

Apesar da rica história, a graduação de faixa dentro do Karatê ou em outras artes marciais não tem nada de místico como muitas pessoas pensam. A graduação apenas mostra do nível de desenvolvimento do praticante, uma forma de manter a sua prática aquecida e em desenvolvimento. Porém, como muitos pensam, não é motivo de status, poder ou ego. Muito pelo contrário, o praticante a cada nível, deve ter mais humildade. Essa é a verdadeira lição que um praticante de karatê aprende no seu desenvolvimento. Portanto, a expressão “a faixa serve apenas para segurar as calças” que muitos mestres e praticantes mais puristas sentem aversão, é a mais dura realidade. O praticante que constrói o seu conhecimento como karateca e não a sua graduação. Essa lição de humildade não se aplica apenas dentro do Karatê, pois para muitas áreas do conhecimento humano o mesmo problema de ego e vaidade infelizmente acontece.

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Fonte: https://www.solbrilhando.com.br/Esportes/Karate/Graduacao.htm. Acessado em 12/10/2021.

REFERÊNCIAS

1. Iedwab, Claudio, Standefer, Roxanne. Um Caminho de Paz. Editora Cultrix. 1ª Edição, 2004.

2. As Origens das Faixas Coloridas no Karatê. https://kyokushingru.com.br/a-origem-das-faixas-coloridas-no-karate/. Acessado em 12/10/2021.

3. Histórias das Faixas. https://www.ricardoaguiar.com.br/artigos/historia-das-faixas. Acessado em 12/10/2021.

4. Obi (artes marciais). https://pt.wikipedia.org/wiki/Obi_(artes_marciais). Acessado em 12/10/2021.

5. A História dos Cintos (Faixas) no Karatê. http://olheirodigital.com.br/?p=2689. Acessado em 12/10/2021.

6. A Origem das Faixas Coloridas nas Artes Marciais. https://www.fjms.com.br/?p=636. Acessado em 12/10/2021.

7. Imagem retirada do Site https://www.solbrilhando.com.br/Esportes/Karate/Graduacao.htm. Acessado em 12/10/2021.

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