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Larrucy Cordeiro Oldra1, Ana Paula Freitas de Oliveira1, Giovana Figueiredo Maciel1, Maria Eduarda Borges Vitor1, Isabele Milena Dias Costa2, Carla Danielle Dias Costa3

1 Acadêmica do curso de medicina do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) – Campus Trindade

2 Acadêmica do curso de biomedicina da Universidade Paulista (UNIP) – Campus Goiânia

3 Biomédica, mestre em Assistência e Avaliação em Saúde pela UFG, docente do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) – Campus Trindade

Edição Vol. 8, N. 6, 14 de Junho de 2021

Figura 1: Relações sexuais durante a gestação normal proporcionam benefícios para a mãe, para o bebê e para o casal. Fonte: pixabay.com

A gravidez é uma fase da vida da mulher constituída por inúmeras mudanças, uma vez que traz modificações fisiológicas, psicológicas, sociais e culturais. O corpo da mulher passa por diversas alterações, entre as quais, mudanças no formato dos órgãos internos, alterações hormonais e no funcionamento do corpo. Tais mudanças, também podem implicar na sexualidade, nas tarefas do dia a dia da mulher e na relação do casal (1).

Muitas pessoas acreditam que a sexualidade está relacionada com o ato sexual, mas não é só isso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a sexualidade como sendo um conjunto de pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, que fazem parte dos indivíduos de ambos os sexos, em todas as etapas da vida. Ela sofre influência de fatores psicológicos, econômicos, culturais, históricos, religiosos e espirituais de acordo com a realidade de cada pessoa (2) e durante a gestação, devido a quantidade de transformações que ocorrem na mulher, a sexualidade também acaba sendo afetada, o que pode interferir no prazer e na frequência de relações sexuais com o parceiro (3).

Na gestação as alterações hormonais são comuns, podemos citar o aumento do estrogênio, da progesterona, que atua na preparação do útero para a gravidez, da prolactina (hormônio que estimula a produção de leite pelas glândulas mamárias), além de outros (4). Em estudos realizados por pesquisadores, foi possível identificar que no primeiro trimestre de gravidez é normal uma redução na frequência da relação sexual devido a náuseas, enjôos, muita sensibilidade mamária e alteração no bem-estar (5, 6). Ao longo dos meses outros fatores como aumento de peso, redução do desejo sexual, aumento da ansiedade, cansaço, oscilações da pressão arterial, a retenção de líquido, podem afetar a vida sexual do casal (7).

Além disso, ainda hoje, existem crenças religiosas, que consideram a mulher grávida como um “ser sagrado”, de forma que a mesma não pode fazer sexo, pois é considerado pecado. Também existem mitos e tabus, quanto ao perigo para o bebê, por acreditar que o pênis pode penetrar no útero e machucar o feto e até mesmo prejudicar a gestação (8,9). Fato que não ocorre devido o bebê estar protegido pelos músculos abdominais, do útero e pelo líquido amniótico, que o protege de choques mecânicos (4).

Sendo assim, é importante ressaltar que em mulheres com gestação normal, a vida sexual ativa contribuiu para o fortalecimento da região pélvica, facilitando no momento do parto, reforça o sentimento de se sentir amada, desejada, além de aproximar o casal, fazendo com que ambos tenham prazer, orgasmo e satisfação conjugal (10,7,11), além disso o orgasmo produzido durante a relação sexual mexe e acalma o bebê (12). No entanto, em casos em que a gestante apresente alterações como ameaça ou histórico de aborto, sangramento genital sem diagnóstico, dor nas relações sexuais, vazamento de líquido amniótico, infecções, dilatação do útero, a prática sexual no período gestacional pode ser limitada ou até mesmo impedida, de acordo com as orientações médicas (13,14). Neste caso, atos como beijar, abraçar, acariciar, massagear são formas de manter a conexão e estimular a sexualidade entre o casal (15).

Deste modo, o sexo na gestação é de extrema importância, pois acalma o bebê, além de fortalecer a pelve da mulher, auxiliando na hora do parto e ainda contribui para a conexão e satisfação conjugal. Vale ressaltar que é fundamental que a mulher realize o pré-natal e durante as consultas retire todas suas dúvidas sobre o ato sexual e relate qualquer alteração durante a gestação.

REFERÊNCIAS:

  1. PICCININI, C. A. et al. Gestação e a constituição da maternidade. Psicologia em Estudo. v. 13, n. 1, p. 63-72, 2008. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-73722008000100008>. Acesso em: 03/06/2021.
  2. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Sexual and Reproductive Health. 2006. Disponível em: <https://www.who.int/teams/sexual-and-reproductive-health-and-research/key-areas-of-work/sexual-health/defining-sexual-health>. Acesso em: 03/06/2021.
  3. LUPTON, D. Corpos, prazeres e a prática do eu. Revista Educação & Realidade. v.25, n.2, p. 15-46, 2000.
  4. NEME, B. Obstetrícia básica. 3ª ed. São Paulo: Savier, 2006.
  5. CHANG, S.R. et al. Comparison of overall sexual function, sexual intercourse/activity, sexual satisfaction, and sexual desire during the three trimesters of pregnancy and assessment of their determinants. Journal of Sexual Medicine. v. 8, n.10, p. 2859-2867, 2011. Disponível em: <https://doi.org/10.1111/j.1743-6109.2011.02420.x>. Acesso em: 03/06/2021.
  6. NINIVAGGIO, C. et al. Mudanças na função sexual durante a gravidez. International Urogynecology Journal. v. 28, p. 923–929, 2017. Disponível em: <https://doi.org/10.1007/s00192-016-3200-8>. Acesso em: 03/06/2021.
  7. SUPLICY, M. Conversando sobre sexo. 15ª ed. Petrópolis: Vozes, 1987.
  8. RIBEIRO, M. C. et al. Beliefs about Sexual activity during pregnancy: A systematic review of the literature. Journal of Sex & Marital Therapy. v. 43, n. 8, p. 822-832, 2017. Disponível em: <https://doi.org/10.1080/0092623x.2017.1305031>. Acesso em: 03/06/2021.
  9. SOLA, F.C. et al. Sexuality throughout all the stages of pregnancy: Experiences of expectant mothers. Acta Paulista de Enfermagem. v. 31, n. 3, p.305-312, 2018. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1982-0194201800043>. Acesso em: 03/06/2021.
  10. SOIFER, R. Psicologia da gravidez, parto e puerpério. 6ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
  11. TAVARES, I. M. M. The relationship between sexual stimulation and female orgasm: the mediator and moderator roles of psychological variables. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade do Porto, Porto. 2016. Disponível em: <https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/85821/2/145202.pdf>. Acesso em: 03/06/2021.
  12. VIEIRA, T.C.B. et al. Sexualidade no ciclo gravídico puerperal. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. v.34, n.11, p. 132-138, 2012. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-72032012001100001>. Acesso em: 03/06/2021.
  13. MONTENEGRO, C. A. B.; REZENDE, F. J. Obstetrícia fundamental. 12ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 3-104, 2011.
  14. CANELLA, P. R. B. Exercício da sexualidade durante a gestação. Boletim informativo on-line da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. São Paulo, v. 3, n. 4, 2000. Disponível em: <http://sbrash.org.br/>. Acesso em: 03/06/2021.
  15. GOMES, M. C. R. Alguns fatores que influenciam o desejo sexual do casal durante a gravidez. Dissertação (Mestrado em Sexualidade Humana) – Faculdade de Medicina de Lisboa, Lisboa. 2009. Disponível em: <https://repositorio.ul.pt/handle/10451/1052>. Acesso em: 03/06/2021.

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