A HOMOSSEXUALIDADE PODE SER DESENVOLVIDA NO ÚTERO DEVIDO ÀS MUDANÇAS EPIGENÉTICAS

A HOMOSSEXUALIDADE PODE SER DESENVOLVIDA NO ÚTERO DEVIDO ÀS MUDANÇAS EPIGENÉTICAS

Vol. 1, N. 8, 11 de Março de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.03.10.005

De acordo com uma hipótese recém-lançada, a homossexualidade pode não estar no próprio DNA, isto é, pode não ser uma herança genética. Em vez disso, com o desenvolvimento do embrião, genes relacionados ao sexo são ligados e desligados em resposta à flutuação dos níveis hormonais no útero, produzidos pela mãe e pela futura criança. Isso beneficia o feto, no entanto, se essas mudanças epigenéticas persistirem uma vez a criança nascida, e este tiver seus próprios filhos, alguns destes descendentes, a terceira geração ou os netos, poderão ser homossexuais.

Os cientistas publicaram suas descobertas na revista The Quarterly Review of Biology. Os geneticistas evolucionistas propõem que esta é a razão pela qual a homossexualidade não desapareceu devido à pressão evolutiva. A pesquisa atual estima que 8% da população seja gay, e é sabido que a homossexualidade pode ocorrer em mais de um filho do mesmo casal ou, mesmo, pular uma descendência. Se um de um par de gêmeos idênticos é gay, há uma chance de 20% de que o outro também o seja. Veja bem, não estou dizendo que se um casal que tenha gêmeos, e um seja gay, o outro necessariamente também o será. Há uma chance em cinco de que ele possa vir a ser, mas isto tudo é influência direta do meio em que vive e não uma resposta única e exclusiva do DNA dos pais, avós ou bisavós, a forma como os pais instruem, cuidam, alimentam, a própria alimentação da mãe durante a gestação, o que assistem, isso tudo pode influenciar seu filho. O termo epigenética (veja também http://nanocell.org.br/cegueira-e-o-agucar-da-audicao-o-senso-comum-e-a-observacao-cientifica/) existe há mais de cem anos, mas somente C. H. Waddington em 1942 deu uma definição mais precisa a ele.

Epigenética é um campo da biologia que estuda as interações causais entre genes e seus produtos que são responsáveis pela produção do fenótipo, ou as características físicas que são apresentadas pelo indivíduo.

A epigenética investiga a informação contida no DNA, a qual é transmitida na divisão celular, mas que não constitui parte da sequência do DNA, ou que sua sequência seja modificada. Sabemos que é a sequência do DNA que leva a informação para a produção de RNAs mensageiros e depois para a produção de proteínas e outros tipos diferentes de RNAs, se a sequência do DNA é modificada pode não produzir uma proteína ou produzir uma proteína defeituosa, o que chamamos de mutação genética, ou mesmo, uma versão melhorada.

Na epigenética, os mecanismos que levam a fenótipos ou características diferentes envolvem modificações químicas do próprio DNA, ou modificações das proteínas que estão associadas a ele, sem, contudo, modificar sua sequência de bases. Por exemplo, nas histonas que se ligam e compactam a cadeia do DNA formando a cromatina, o material básico dos cromossomos, ou nas proteínas nucleares e nos fatores de transcrição, moléculas que interagem e regulam a função do DNA (Figura 1).

 homossexualidade

Figura 1: Esquema da estrutura do cromossoma e como a epigenética atua. Os cromossomas são as fitas de DNA (ácido desoxiribonucleico) espiraladas ao máximo. As histonas são proteínas que mantêm o DNA enrolado ou espiralado. Se um grupo metil é ligado a uma base do DNA, ele pode tanto ativar a expressão ou produção de um gene ou causar sua repressão ou inibição. Se a metilação ocorrer em uma histona, ela pode não se desligar do DNA, não permitindo que o gene fica acessível e possível de ser transcrito, ou ativado para a produção de proteínas.

As modificações epigenéticas envolvem a ligação de um grupo metil (-CH3) a base citosina do DNA, particularmente aquela que vem antes da guanina; ligação de grupo acetil (CH3CO-) ao aminoácido lisina no final de duas histonas; remodelagem de outras proteínas associadas à cromatina; e transposição de certas sequências da fita de DNA causando mudanças súbitas na maneira que a informação genética é processada na célula.Essas modificações podem ser causadas pela alimentação, bebida, medicamentos, pelo meio ambiente, como o ar que respiramos e o que nele tiver (incluindo a poluição). E essas modificações podem ser passadas até a quarta geração.

A homossexualidade não é apenas ligada à espécie humana. Há muitas espécies que exibem traços homossexuais, incluindo peixes e aves, e os geneticistas não têm sido capazes de encontrar um gene que seja responsável pela orientação sexual. Por exemplo, entre gaivotas da Califórnia, cerca de 14% dos pares são fêmea-fêmea. Em cisnes negros australianos, cerca de 6% de pares são macho-macho, e 8% dos ovinos machos são atraídos exclusivamente para parceiros do sexo masculino.

De acordo com a sabedoria convencional, o embrião se torna um menino quando um gene no cromossomo Y aciona o desenvolvimento dos testículos, que, em seguida, começam a produzir hormônios sexuais masculinos, incluindo a testosterona, por volta da oitava semana de gestação. Com nenhum cromossomo Y e, portanto, sem a testosterona, o embrião se torna uma garota.

A testosterona não explica tudo. Fetos do sexo feminino são expostos a pequenas quantidades de testosterona de suas glândulas suprarrenais (glândulas que ficam sobre os rins e são principalmente responsáveis pela liberação de hormônios em resposta ao estresse através da síntese e liberação de hormônios corticosteroides, como o cortisol, e de catecolaminas, como a adrenalina (ou epinefrina). Estimulam a conversão de proteínas e gorduras em glicose, ao mesmo tempo que diminuem a captação de glicose pelas células, aumentando, assim, a utilização de gorduras.), também são expostos à testosterona pela placenta e pelo sistema endócrino da mãe. Em muitos pontos-chaves da gestação, os fetos masculinos e femininos estão expostos a quantidades semelhantes de testosterona. Os níveis de hormônio podem ser maiores do que o normal em mulheres e menores do que o esperado em homens, sem quaisquer efeitos sobre as estruturas genitais ou no cérebro (1).

Os autores liderados por William Rice da University of California, Santa Barbara, EUA, propuseram que as diferenças na sensibilidade aos hormônios sexuais resultam de alterações epigenéticas, que não afetam a estrutura de um gene, mas pode ser ativada pela alteração química na região do promotor de um gene. As mudanças epigenéticas poderiam aumentar ou atenuar a atividade da testosterona, conforme necessário.

As mudanças epigenéticas envolvem alterações nas proteínas que se ligam às longas cadeias de DNA e podem ser transmitidas aos descendentes. Os autores propuseram que a homossexualidade pode ser uma redundância (carry-over) dos genes pré-natais dos próprios pais para resistir ao excesso de testosterona, e isso pode alterar a ativação gênica em áreas do cérebro da criança envolvidas com a atração e preferência sexual. Essas mudanças epigenéticas protegem a mãe e o pai durante seu próprio desenvolvimento enquanto eram fetos. A vantagem inicial aos pais pode explicar por que o traço de homossexualidade persiste ao longo da evolução (1).

Os autores têm feito um ótimo trabalho fornecendo um mecanismo para a variação genética, especialmente uma variação que não se poderia esperar persistir porque é tão fortemente ligada à reprodução. Porém para ir de mudanças na expressão gênica do por que alguém está atraído por uma pessoa do mesmo sexo é uma questão para a qual a ciência nunca poderá preencher todos os espaços em branco.

Referência

1. Rice WR, Friberg U, Gavrilets S. Homosexuality as a consequence of epigenetically canalized sexual development. Q Rev Biol. 2012 Dec;87(4):343-68. PubMed PMID: 23397798. Epub 2013/02/13. eng.

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  • 2
  1. Uma teoria, bastante interessante para o esclarecimento da homosexualidade nos seres biológicos,

    07/novembro/2015 ás 07:31
  2. Ana Lournço da Rosa disse:

    Este artigo é fundamental que seja trabalhado com os professores das redes de ensino , por um especialista em assuntos genéticos, e na epigenética. Assim eles poderão trabalhar mais cientificamente os casos de sem ferir a sociedade com ideias negativas com as preferências dos sexos e as tendências dos seus filhos…ONG/OSEC TO BR

    13/abril/2016 ás 13:36

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