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A CORRUPÇÃO MATA

A CORRUPÇÃO MATA

Edição Vol. 2, N. 08, 24 de Fevereiro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.02.24.004

Buscando a ironia da natureza humana e respondendo à natureza da corrupção, a perversão humana mata muito mais gente pelo desvio de dinheiro público do que uma guerra travada entre Estados.

Os valores morais são o mais alto entre todos os valores naturais. Bondade, pureza, honestidade, a humildade do homem são colocadas acima do gênio, brilho, vitalidade exuberante, do que a beleza da natureza ou da arte, do que a estabilidade e poder de um estado. O que é realizado e que brilha em um ato de perdão real, em uma renúncia nobre e generosa; em um amor ardente e altruísta, é mais significativo e mais nobre, mais importante e mais eterno do que todos os valores culturais. Valores morais positivos são o foco do mundo, os valores morais negativos, o maior mal, pior do que o sofrimento, a doença, a morte, ou a desintegração de uma cultura florescente.

Este fato foi reconhecido pelas grandes mentes, como Sócrates ou Platão, que se repete continuamente que é melhor sofrer a injustiça do que cometê-la. Esta preeminência da esfera moral é, acima de tudo, uma proposição básica de qualquer um que queira ocupar um cargo de confiança, seja público ou privado.

Então, porque nos vemos em uma situação de que a cultura aflora pelo lado oposto? Cresce pelo lado do egoísmo, da arrogância, jactância, desonestidade, maldade, brutalidade, da corrupção?

CORRUPÇÃO E MORTES: as evidências acumuladas

É muito mais fácil racionalizar em tolerar a corrupção quando é percebida como um problema econômico relativamente menor, ligado a fatores culturais e visto como um custo inevitável de se fazer negócios em alguns países, principalmente aqueles mais pobres, aqueles em que a cultura do “jeitinho” é protagonizada, arraigada. A corrupção, no entanto, pode ser mortal, bem como muito mais dispendiosa. A boa notícia é que a letalidade da corrupção tem recebida mais atenção, incluindo estudos recentes que tentam quantificar o número de mortes resultantes de práticas de corrupção.

Um desses estudos analisou o efeito provável da corrupção sobre o número de mortes de terremotos, particularmente as que resultam do colapso de construções (1). Observando que as práticas de construção pobres podem transformar até mesmo terremotos moderados em grandes catástrofes, os autores concluíram que 83% de todas as mortes devidas às quedas de edifícios em terremotos ao longo dos últimos 30 anos ocorreram em países percebidos, pela própria população destes, em ter níveis anormalmente elevados de corrupção (1). Essas mortes têm aumentado, apesar dos avanços na capacidade de construção de edifícios resistentes aos terremotos. Como exemplo da diferença de que edifícios com construção adequada podem fazer, os autores compararam o terremoto de 2010 no Haiti, que matou milhares, com um terremoto de intensidade semelhante na Nova Zelândia, que não resultou em mortes. Outro estudo recente tenta quantificar a relação entre corrupção e mortes de crianças devido à má gestão da saúde pública (2).

Esses estudos dão suporte estatístico para a evidência anedótica já substancial e acumulada ligando a corrupção às mortes e doenças. Como os autores reconhecem, nem todas as vítimas de desabamentos de edifícios e sistemas de saúde precários podem ser atribuídas exclusivamente à corrupção. Alguns países e localidades, por exemplo, não se pode dar ao luxo de construir edifícios do estado da arte e sistemas de saneamento básicos. Para minimizar esse problema, no entanto, massivas quantidades de ajuda têm sido derramadas em regiões pouco desenvolvidas por governos, bancos de desenvolvimento e ONGs, todos os demais que têm sido desviados antes de chegar a seus destinatários. Nestes casos, o problema não é a pobreza – um orçamento do projeto pode ser adequado para financiar, por exemplo, edifícios escolares ou hospitais resistentes a terremotos, ou mesmo direitos mínimos à saúde como luz, rede de esgoto, água encanada, atendimento médico, ou a educação, que previne a doença e coíbe a corrupção – mas os saques dos recursos do projeto vão para financiar esquemas de corrupção. Algo muito semelhante ao que vivemos… Em quaisquer esferas de governo, infelizmente.

Há uma lógica inexorável que liga a maioria de tais esquemas, quaisquer que possam ser suas diferenças superficiais. Para gerar os fundos necessários para subornar inspetores, auditores, e/ou outros funcionários do governo, e/ou a pagar-lhes lucros inflacionados, os participantes nos esquemas devem desviar recursos de outro lugar, como a partir dos valores orçados para materiais em projetos de construção; de redes subterrâneas (esgotos, gás, energia) que, como não podem ser vistas, não precisam ser construídas; nos preços dos medicamentos, próteses, ou atendimentos médicos; nos livros ou refeições escolares. Muito comum em nosso país, não acham? Ou alguém tem dúvidas? Usando materiais precários e/ou omitindo matérias primas essenciais por inteiro – como aquelas necessárias para sustentar um prédio de escola ou hospital ou arenas de futebol sob a tensão de um terremoto, ou mesmo o mais absurdo, para se manter a construção em pé pelo mínimo de tempo necessário, mesmo que não haja terremotos em seu país. Somente para a obra dos estádios da copa, nós pagamos a bagatela de mais de R$ 8 BILHÕES de reais… Isso, que dos 12 estádios construídos ou reformados para a fanfarrona Copa da Fifa no Brasil, metade deles precisa de outra reforma em menos de 1 ano de uso! – os conspiradores podem parecer concluir um projeto enquanto secretamente desviam recursos vitais para si mesmos e aos funcionários corruptos cujas aquiescência faz o esquema possível. Nesse esquema, os participantes não estão apenas roubando dinheiro, mas se enriquecem com o risco de que pessoas inocentes, incluindo crianças em idade escolar, sejam esmagadas ou enterradas vivas quando o prédio desaba em um terremoto; quando pais, irmãos e amigos morram sem atendimento médico, esperando por um médico, medicamento, e equipamento que nunca vão aparecer.

Muitas maneiras de como esquemas corruptos operam em setores específicos, indústrias e regiões, tanto durante as fases de aquisição e implementação de projetos, já estão descritos pela IACRC (International Anti-Corruption Resource Center). Métodos e maneiras já foram descritos pela IACRC para equipar a aplicação da lei, de auditoria, de regulamentação, e pessoal de supervisão com o conhecimento e as habilidades necessárias para deter a corrupção e para detectá-la em seus estágios iniciais, antes que suas consequências trágicas sejam realizadas. Porque essas consequências podem incluir mortes em grande escala e danos de membros inocentes da sociedade, tanto as crianças quanto os adultos, é urgente que as contramedidas mais eficazes de combate à corrupção sejam implementadas onde são mais necessárias.

Não é suficiente que haja fortes políticas anticorrupção nos mais altos níveis de governos, ONGs e instituições internacionais de ajuda; aqueles na linha de frente da luta contra a corrupção devem ser capazes e estarem dispostos a implementar as políticas. Muito ao contrário do que vemos de nossos governantes.

No próximo artigo vamos relatar os desvios públicos da corrupção de, apenas uma estatal, e revelar quantas vidas poderiam ter sido salvas com a roubalheira desse governo… Bom, nem disse qual governo, mas acredite, você sabe qual!

Referências

1. Ambraseys N, Bilham R. Corruption kills. Nature. 2011 Jan 13;469(7329):153-5. PubMed PMID: 21228851. Epub 2011/01/14. eng.

2. Hanf M, Van-Melle A, Fraisse F, Roger A, Carme B, Nacher M. Corruption kills: estimating the global impact of corruption on children deaths. PLoS One. 2011;6(11):e26990. PubMed PMID: 22073233. Pubmed Central PMCID: 3206868. Epub 2011/11/11. eng.

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